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domingo, 3 de março de 2013

Estará Big Papi pronto para a estréia?


O Boston Red Sox já jogou 10 partidas no Spring Training de 2013. Até agora, nenhuma com a estrela do time: o Rebatedor Designado David Ortiz.

Ortiz é uma das figuras mais amadas em Boston

Big Papi sofreu com lesões durante todo ano de 2012, perdendo muitos jogos da temporada e ficando fora de boa parte da segunda metade da mesma. Para quem não lembra, Ortiz saiu de um jogo contra os White Sox no dia 16 de julho, diagnosticado com uma lesão “leve”. Perderia pouco tempo.

O dominicano tentou voltar a jogar no dia 24 de Agosto, e novamente sentiu a lesão. Acabou ficando o resto da temporada afastado dos Ballparks.O problema era no tendão de aquiles e precisaria mais tempo de recuperação.

Neste domingo, Ortiz deveria ter realizado um treinado correndo as bases. Mas sentiu dores no tendão e não participou da atividade. Tentará novamente nesta segunda.

John Farrell, Manager dos Red Sox, diz que quer que Ortiz realize esse treino por dois dias seguidos, sem qualquer efeito colateral, antes de colocá-lo num jogo de Spring Training.

David Ortiz tem 37 anos e vai para sua 11ª temporada com o Boston Red Sox. O atleta renovou seu contrato na última offseason garantindo mais dois anos no Fenway Park por 26 milhões de dólares.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Boston oferece PEDs a seus atletas?


Mais um pequeno capítulo da longa novela das drogas para melhorar a performance entre atletas dea MLB foi escrito na última quarta-feira. Curt Schilling, arremessador aposentado e 3 vezes campeão da World Series, revelou que, em 2008, membros da diretoria do Boston Red Sox cogitaram que ele deveria utilizar drogas para se recuperar mais rápido de uma lesão.

“No fim da minha carreira, em 2008, quando fiquei machucado, houve uma conversa na qual fui envolvido e foi mostrada para mim a possibilidade de seguir por esse caminho”. Schilling falou que tal conversa envolveu pessoas que não trabalham mais para o Boston Red Sox. Ainda disse que “foi uma conversa muito desconfortável, porque veio no meio de um grupo de pessoas. Nem todos participaram da conversa, mas todos podiam ouvir”.

“Foi sugerido pra mim que, na minha idade e na minha situação: por que não? O que eu poderia perder? Se eu não ficasse melhor da lesão, ok; mas se eu melhorasse, ótimo.”

Mais uma revelação forte entre as que apareceram na última semana. Se uma organização da MLB oferece PEDs para seus atletas, o buraco é mais embaixo do que se pensa. A MLB vai investigar isso a fundo ou, quando descobrir que vai sujar sua imagem mais que limpar, vai desistir?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Chuvas e cancelamentos de jogos


Hoje, 18 de setembro, 3 jogos foram adiados na MLB: Toronto vs Yankees, Philadelphia vs Mets e Dodgers vs Nationals. Todos eles por causa da chuva. Então, não vejo motivo melhor para um post explicando o que acontece quando a água começa a cair do céu.


Jogando tudo num ano só
Como vocês já devem ter percebido, a MLB é a única liga norte-americana que a temporada começa e termina no mesmo ano. Não é coincidência que ela comece na primavera, passe pelo verão e termine no outono do hemisfério norte. Ela simplesmente evita o inverno, por motivos óbvios. São poucos os ballparks cobertos e, jogar baseball na neve não parece uma boa idéia.

Ainda assim, a MLB não foge de todos os problemas causados pelo tempo.  Os torcedores de Boston, Yankees, Mets, Phillies e algumas outras franquias do Nordeste estadunidense sabem bem do que estou falando: muitos jogos são cancelados por causa da chuva durante a temporada.

A chuva não é algo que mande todo mundo imediatamente para o vestiário trocar de roupa. Existe um certo nível de tolerância para parar/cancelar um jogo, mas, muitas vezes, a água é forte demais para ser ignorada.

Antes do jogo
Antes do jogo começar, o manager do time da casa avalia se o tempo está bom para início de jogo ou se a partida deve ser atrasada ou cancelada. Se o manager entrega sua lineup aos oficiais da partida, está dando sinal que o jogo pode transcorrer normalmente. Então cabe ao umpire-chefe concordar ou não com o manager.

Caso o tempo não esteja bom para a prática do baseball, o umpire é obrigado a esperar, pelo menos 30 minutos para observar uma eventual melhora das condições. De qualquer modo, a recomendação é evitar ao máximo um cancelamento de jogo, então, se o tempo melhorar em até 3 horas, o jogo provavelmente vai acontecer.

Se o jogo não houver começado quando o “rainout” for declarado, ele será remarcado para uma outra data (se ainda houver partidas da série, provavelmente para o dia seguinte, na parte da tarde).

O inflield sempre é coberto pra evitar a lama
Nos casos de partidas já em andamento, são vários os cenários.

Se o jogo chegou a completar o topo da 5ª entrada e o time da casa estiver na frente, a partida é dada como encerrada e o resultado conta para a tabela. Se o jogo completar as 5 entradas (incluindo a parte baixa da 5ª) e qualquer um dos times estiver à frente, acontece a mesma coisa: partida dada como encerrada e resultado anotado na tabela.

Contudo, se o jogo completou a 5ª entrada e ninguém estiver na frente, ou for um jogo dos playoffs (independente da entrada) e os times estiverem empatados,  a partida será suspensa e retomada numa outra data.

Se nenhum dos cenários acima se aplicar, o umpire declarará “no game”. Vale ressaltar que nada disso acima vale pelos playoffs, quando, uma partida será sempre suspensa e retomada a partir do ponto que foi interrompida.

Atrasos por causa de abelhas
Em 2005, os Rockies e os D’Backs presenciaram uma cena bizarra durante um jogo do Spring Trainning.

Darren Oliver, que tentava garantir um lugar na rotação do Colorado Rockies, foi atacado diversas vezes por um enxame de abelhas durante o jogo, até ser retirado para o bullpen. À época, Oliver disse que achava que seu óleo para cabelo à base de coco havia atraído os insetos para sua cabeça.

Pode até fazer sentido, uma vez que Oliver saiu do jogo e as abelhas passaram a atacar os infileders! Antes de começar a 6ª entrada, os umpires decidiram encerrar o jogo.

A situação chega a ser cômica, mas foi verdadeiramente perigosa. Os enxames era de abelhas africanas, que atacam em bando e ficaram conhecidas como “abelhas assassinas”.

Em 2009, Padres e Astros também sofreram com um atraso de 52 minutos na partida por causa de um enxame  no Left Field. O pobre Kyle Blanks achou estranho duas abelhas perto dele durante o jogo e, quando olhou para trás para ver o que acontecia, viu um “muro” de insetos. Saiu correndo para avisar a seu Shortstop, que poderia pedir um tempo.

Prefiro enfrentar o Pujols que as abelhas

Curiosidades
• Times californianos não costumam sofrer com a chuva. Entre 2000 e 2010, somente o San Diego teve um jogo cancelado por causa do tempo.

• Mesmo com estádios cobertos, os Astros e os Rays já tiveram jogos cancelados por causa de furacões.

• O Minnesota teve um jogo cancelado em 2007, quando uma ponte perto do Metrodome caiu e derrubou carros no Rio Mississipi, além de ter matado 4 pessoas.



• Abaixo, o Top 5 de Rainouts na década passada:
Boston Red Sox – 31
NY Mets – 28
Pittsburgh Pirates – 25
NY Yankees – 24
Cleveland Indians - 23

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domingo, 26 de agosto de 2012

Boston e LA Dodgers realizam grande troca.

Agosto é um mês emblemático na MLB. Ele fica entre o fim da deadline em julho, e o começo da loucura total em setembro, quando jogadores aparecem por todos os lados, equipes dão o sangue para ir à pós-temporada e managers ficam malucos fazendo cálculos e mais cálculos.

Portanto, é um mês que você não espera mais grandes reforços para seu time. Os movimentos que ocorrem são através de waivers, ou seja, são (geralmente) menores. Vocês está apenas se acostumando com as eventuais mudanças no elenco que aconteceram em julho.

Mas o Baseball sempre arranja uma forma de nos surpreender. E foi o que aconteceu nesta sexta-feira, quando apareceu o rumo de uma troca homérica entre Boston Red Sox e Los Angeles Dodgers.

O time de Boston, totalmente desiludido com a temporada pífia, finalmente teve a coragem de limpar um pouco a sua folha de pagamento. Era algo que já devia ser ventilado entre a diretoria da franquia há algum tempo, mas, o fio de esperança de ir aos playoffs ainda não deixava trocas ocorrerem.

Neste sábado, o movimento foi confirmado. Os Red Sox enviariam Adrian Gonzalez, ídolo da torcida, Josh Beckett, em temporada bem fraca, Carl Crawford, com problemas de lesão, Nick Punto e 11 milhões em dinheiro para os Dodgers. Em troca, vão receber o 1ª Base James Loney (4 Home Runs, 33 RBIs), Allen Webster, Ivan De Jesus e dois jogadores a serem anunciados no futuro.

Gonzo já bateu seu primeiro Home Run no novo uniforme
Para entender melhor, vamos aos números.

Antes do movimento, o Boston Red Sox tinha a 3ª folha de pagamento mais cara da MLB, custando um pouco mais de 173 milhões de dólares em 2012. Para ter ideia do que é gastar esse valor num time de baseball, eles poderiam pagar a folha de San Diego Padres, Oakland A's e Houston Astros desse ano.

Com a troca, o Boston economiza o equivalente a um time desse times citados: 60 milhões de dólares. Só Adrian Gonzalez ganha 21,8 milhões; Carl Crawford ultrapassa os 20 milhões e Beckett garante seus 17. Nick Punto, coitado, é o troco do pão da transação: 1,5 milhão para ele em 2012.

Beckett tem contrato por mais dois anos e irá receber 31,5 milhões
Para os Dodgers, a transação significa, logicamente, o oposto. Eles somam a uma folha que já era de 95 milhões todos esses valores. O jogador que mais ganhava na equipe antes da transação era o Ted Lilly, com 11 milhões. Os torcedores estão em êxtase com o time se movimentando e agindo depois de tanto tempo no comando de Frank McCourt.

Magic Johnson, um dos donos da franquia, declarou que "Nós entendemos que você precisa gastar pra ser bom nessa liga. Sabíamos disso antes de comprar o time. Gostamos muito da troca". Ou seja, mesmo com a moda de Moneyball, o jeito Yankee de ser continua fazendo sucesso: salários altos, grandes investimentos e acúmulo de talento. Nas últimas semanas, os Dodgers também adicionaram Shane Victorino, Hanley Ramirez e Brandon League ao elenco.

Tecnicamente falando, Adrian Gonzalez é uma adição incrível ao time. A 1ª base dos Dodgers desse ano vinha sendo limitada, rebatendo 24%, com 10 Home Runs e 55 corridas impulsionadas. Gonzalez, numa temporada abaixo do que pode produzir, anotou 30% no Boston, com 15 Home Runs e 86 corridas impulsionadas. Matt Kemp deu sua opinião sobre o novo companheiro de time: "Agora temos um dos melhores jogadores da posição na liga. Alguém que pode anotar corridas definitivamente vai nos ajudar a vencer mais partidas".

Josh Beckett chega sem grandes expectativas e por isso pode surpreender. Já Carl Crawford me parece a maior incógnita da troca. Vindo de tantas lesões, ele finalmente consegue se livrar de Boston e partir para LA. Pode ser que a motivação volte ao Outfielder. O Dodgers vai pagar caro nessa aposta (Crawford ganhará 100 milhões nos próximo 5 anos), mas o retorno pode ser alto também.

Resumindo: o Boston pode ter entrado numa fase que o torcedor não está acostumado, a reconstrução de um time. Pode ser angustiante, como definiu o General Manager do time, Ben Cherington: "Nós sabemos que não somos quem queremos ser". Não é de uma hora para outra que toda mudança deve acontecer. A próxima Free Agency pode não suprir todas necessidades do time, a espera pode ter que ser um pouco mais longa que o normal. Mas o time irá fazer os movimentos necessários para voltar ao topo.

Os Dodgers, por sua vez, colocam um F maíusculo no favoritismo para a vaga dos playoffs na divisão e também garantem um lugar nas listas de "possíveis times na World Series". O elenco agora é caro e tem que render. Vamos ver como o barco vai navegar nos mares angelinos.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Já é Junho!

Voltei!

Depois de algumas semanas cheias de coisas a fazer, tento voltar mais uma vez para cá!

A temporada segue de vento em popa e resolvi colocar 2 enquetes no blog para dar uma animada aqui! Como ainda sou meio principiante nisso, as enquetes (nas quais você pode votar aí ao lado) ficaram meio grandes com as explicações nelas mesmas, então resolvi postar aqui as opções delas.

Em primeiro lugar, entre as surpresas boas temos o Baltimore Orioles, que liderou a divisão AL East, conhecida pelo grande duelo entre Yankees e Red Sox, além da força emergente Tampa Bay Rays. Atualmente, os Orioles estão em segundo lugar da divisão, mas pertinho dos Yankees.

O Texas Rangers entra, de certa forma, como surpresa, porque não havia muita gente que aguardasse uma temporada do nível que estão desenvolvendo. O time perdeu CJ Wilson na offseason e o seu rival Los Angeles Angels se reforçou fortemente para a temporada. Parecia que o atual bi-vice campeão mundial iria apenas ser um coadjuvante perto ao novo time de Albert Pujols, mas quem tem dominado  a divisão e os adversários com um ataquem monstruso e uma lineup incrível é o time de Arlington.

Os Nationals, sempre esquecidos e tidos como saco de pancadas, começaram a temporada com uma campanha incrível. O time possui uma das melhores equipes de arremessadores da liga, com Gio Gonzalez, Stephen Strasburg e Jordan Zimmermann. Ainda conta com o salário exagerado de Edwin Jackson, mas nem todo mundo é perfeito.

Também como opção na enquete aparecem os Mets. Ah, os Mets... o time tão preterido da Grande Maçã começou a temporada inteiramente desacreditado. O que não faltava era especialista metendo o pau no elenco nova-iorquino e afirmando ser o pior da Major League. Mas, com a incrível temporada que RA Dickey vem fazendo (10 vitórias, 1 derrota e 2.20 de ERA) e a ajuda de David Wright e Lucas Duda no bastão, o time está em segundo lugar na sua divisão, à frente do renomado Philadelphia Phillies, do simpático Atlanta Braves e do polêmico Miami Marlins.

Claro que nesta lista não poderiam faltar os Dodgers. O time que passou por grandes problemas desde a temporada passada, finalmente conseguiu ter novos donos e, aparentemente, novos ares sem muitas mudanças no elenco. Chris Capuano chegou para fazer uma bela dupla com Clayton Kershaw e, no bastão, Matt Kemp continua sem perdoar ninguém. O time não é só líder de sua divisão, como também é o primeiro colocado a American League até agora.

Na outra enquete, falamos das possíveis decepções deste ano.

Começamos apontando o dedo na cara do Boston Red Sox. Depois de terminar a temporada de 2011 de forma vergonhosa e mandar seu manager embora, o time de Boston acreditava que o centenário do Fenway Park pudesse trazer coisas boas ao ambiente e ao time. Mas não é o que vem acontecendo. Sofrendo com um elenco limitado em vários aspectos, os meias vermelhas não conseguem estabelecer uma boa sequência nesta temporada e estão amargando a última posição da conferência, para alegria dos torcedores dos Yankees.

Os Tigers também têm um lugarzinho na lista. Depois de conseguirem a grande adição de Prince Fielder, o ataque de Detroit parecia estar pronto para detonar os adversários. Mas o time ainda não engrenou. Começou bem, é verdade, mas todos esperavam um passeio do time de Motor City na divisão e isto não está acontecendo. Atualmente, o time de Miguelito Cabrera se encontra atrás do Cleveland Indians e do Chicago White Sox, do interminável Paul Konerko.

Os Phillies, coitados, talvez sejam injustiçados nesta lista. Jogar sem os dois principais rebatedores, ainda mais do nível que os dois são, é cruel. De qualquer modo, o time, que começou a temporada com o favorito para a World Series, segundo as casas de apostas em Vegas, não conseguiu nem chegar perto de suprir a ausência de Chase Utley e Ryan Howard. Com isso, a lanterninha da divisão está na mão deles.

O Miami Marlins foi um time que se mexeu bastante na offseason. Conseguiu contratações relevantes, trouxe um novo manager e até inaugurou um novo ballpark! Mas todas estas coisas não deixaram o time fugir muito dos dias de fracasso do Florida Marlins e a irregularidade do time o faz lutar apenas para não ser o último colocado da divisão.

Os Brewers talvez não merecessem estar nesta lista. Perder Prince Fielder foi um duro golpe para os torcedores de Milwaukee, mas acabam entrando aqui por não terem tido a capacidade de buscar ajuda para o time sem o seu principal rebatedor.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um Senhor Especial #Fenway100


Logo que comecei este blog, fiz uma promessa que iria me atormentar por um tempo (e ainda me atormenta): falar dos patches que os times usariam na temporada 2012. Você pode ver  esse bendito post aqui e ficar sabendo quais são os patches aos quais me refiro.

Quando vocês terminarem de ler o post, vão ver que minha promessa começava com o Fenway Park e acho que foi isso que me atrasou (eu pretendia falar dos 10 patches antes da temporada começar). E olha que a temporada começou 3 vezes.

O patch comemorativo
Eu não tinha uma ideia de como abordar o texto. Falar de 100 anos de um estádio era demais pra mim. E não um estádio qualquer. O Fenway! Foi engraçado, porque entre meus alt-tab, passeando por Twitter, Facebook, Wikipedia e uma página vazia do Word, eu vi umas fotos de uma amiga minha que morou em Boston por uns 6 meses. O que ela tinha acabado de postar? Fotos de uma visita ao Fenway, claro.

Aí que lascou mesmo. Como poderia eu, do alto da minha ignorância baseballística falar de um estádio que é mais que um estádio? Quem vai a Boston, tem o glorioso Ballpark como um dos pontos turísticos, um dos pontos de referência da cidade. Quem vai a Boston e não conhece esse conservado senhor centenário, parece que não foi a Boston. Quem vai a Boston, vai ao Fenway sem nem saber o que é um Home Run (mesmo que tenha assistido ao episódio de Chaves no qual seu Madruga trabalha de sapateiro e bate uns home runs).

Fenway Park bem simpático em 1914 (e esse era o "Green Monster" na época)
Aí então eu percebi uma coisa e me lembrei de alguns amigos meus. Lembrei daquele são-paulino que diz que não fala com você de futebol enquanto você não tiver 3 títulos mundiais. Lembrei do corinthiano que passou 2011 inteiro falando que só iria dirigir a palavra a quem estivesse na frente deles na tabela. Lembrei também do meu amigo botafoguense... mas esse fala com todo mundo mesmo.

Depois desses pensamentos poucos profundos, vi que o torcedor do Boston Red Sox podia dizer: “Não fale comigo enquanto você não tiver metade das histórias que ocorreram no Fenway”. Para o bem ou para o mal. Foi aí que percebi que eu não poderia falar da grandeza do estádio, não poderia falar de histórias que mal conheço. Histórias que li 3 ou 4 linhas, ou ouvi 5 ou 6 palavras sobre. Falar de um estádio tão representativo para uma comunidade, para uma cidade, para um esporte e uma nação. Como fazer isso sem sequer ter feito uma visita ao Fenway?

Foi aí que decidi comprar uma passagem pra Boston!

Mas a ideia não deu certo.

Fiquei no Recife mesmo, perto da Ilha do Retiro. Ilha do Retiro, por sua vez, que está próxima de ser demolida para construção dessas arenas que estão na moda, com shopping, hotel, hospital e até mesmo um gramado para se jogar bola. E quando ela for demolida, vai impossibilitar que alguém fale de seus 100 anos num texto bem mais ou menos como este aqui.

E foi isso que quase aconteceu com o nosso querido Fenway. Não fosse pela ação de vários moradores e, claro, torcedores dos Red Sox, vocês não estariam lendo essa desgraça aqui. Em 99, o então presidente dos Red Sox tinha planos para construir um novo Ballpark. Sim, era basicamente uma réplica do Fenway atual, incluindo até um Green Monster e um campo com as mesmas dimensões. Ele queria modernizar a estrutura, mudar umas paredezinhas, colocar mais metal aqui, mais vidro ali, mudar para perto do New England Patriots. Essas coisas todas, para tudo ter um ar mais moderno e parecer com uma espaçonave que vai voar a qualquer momento (provavelmente na primeira derrota de World Series).

Mas não aconteceu. Movimentos se formaram na cidade, no estilo Save the Fenway. Reformas foram feitas, estudos realizados e, para alegria de todos, deram ao Fenway mais 50 anos de vida. 50 anos de histórias que eu não poderei contar, nem você. 50 anos de paredes que sabem mais de baseball que qualquer comentarista metido a besta. 50 anos de risos e lágrimas, alegrias e tristezas, home runs, bases roubadas e erros.

E foi por isso que salvaram o Fenway. Porque não é um vestiário com 55 telas de LED que faz um time de baseball. Não é um telão de 800 polegadas que faz a torcida se empolgar. Sequer, é uma privada com assento com aquecedor que deixa o torcedor pronto para o jogo.

O que faz o Baseball é a história. A história de um estádio que nasceu em 1912, com capacidade para 11 mil pessoas em suas arquibancadas de madeira. Passou por uma crise na década de 20, quando Babe Ruth foi vendido para os Yankees. Mudou de dono, foi quase destruído por um incêndio, mas voltou abrigando mais pessoas e com um novo placar. Assistiu à Maldição do Bambino, período que o Boston ficou sem um título de World Series, atribuído à troca de Babe Ruth, mas resistiu bravamente. Ganhou o Left Field mais famoso do Baseball, o Green Monster, que nasceu somente como “O Muro”, mas, depois de perder o grande número de propagandas nele, foi pintado de verde e imortalizado.

As bandeirinhas vermelhas são os títulos de World Series. Pulam de 1918 pra 2004

Se o Fenway fosse uma pessoa, com certeza se sentiria mais feliz do que nunca ao alcançar o centenário. Por tudo que viu, por tudo que presenciou e por tudo que representa no mundo dos esportes. E mais! Por ser o velhinho mais visitado e com mais amigos do mundo, já que desde 15 de maio de 2003, todos jogos nesse adorável senhor, são garantia de casa cheia.

E no dia que vier à tona novamente o assunto da demolição do Fenway, os torcedores vão perguntar: Não dá pra demolir a World Series antes?